segunda-feira, 23 de julho de 2012

Wellington Dias: destaque no senado federal

Entrevista com o senador Wellington Dias
Senador Wellington Dias
Em uma lista divulgada no mês de setembro pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), o senador Wellington Dias (PT) figura entre os 100 mais influentes parlamentares do Brasil. Junto com ele, apenas o deputado federal Osmar Júnior (PC do B) representam o Piauí no seleto grupo. De acordo com a publicação, o petista aparece como tendo a habilidade de ser "formulador" de ações.
Wellington Dias faz parte do novo time de senadores da república que ingressaram através das eleições de 2010 e vem se destacando na proposição de projetos para o desenvolvimento do Piauí e do Brasil atuando em nove diferentes comissões. Entre as principais discussões, está a partilha dos royalties do pré-sal, na qual trabalha para que a riqueza chegue em maior volume ao Piauí, na implantação do Programa Nacional de Irrigação e no Programa Nacional da Aviação Regional, previsto para começar em outubro.
O atual senador seguiu uma longa trajetória que percorreu desde a liderança sindical até dois mandatos consecutivos como governador do Piauí. Militou no movimento de base da Igreja Católica, participou de grupos de jovens, da Juventude Operária Católica e grupo de escoteiros. No movimento estudantil, tão logo começou a trabalhar no movimento sindical bancário, foi presidente da Associação Pessoal da Caixa Econômica Federal - APCEF, da Federação do Pessoal da Caixa, no Conselho deliberativo e em seguida presidente do Sindicato dos Bancários. Se filiou ao Partido dos Trabalhadores - PT em 1982, dois anos após a criação do partido, o único de sua vida. Foi vereador em 1992. Em 1994 foi eleito deputado estadual, em seguida foi deputado federal e em 2002 e 2006 eleito governador.
Nesta entrevista concedida aos portais do Grupo Med Imagem, Wellington Dias fala sobre o seu trabalho no senado federal, os projetos em andamento, os desafios para o desenvolvimento do Piauí e faz uma análise sobre o papel do Brasil no cenário mundial. Acompanhe.

Recentemente o senhor foi colocado como um dos 100 parlamentares mais influentes do país. A que o senhor atribui este título?
Pra mim foi uma surpresa. O parlamento é muito complexo, e o senado tem uma parte de seus membros que já tinha mandato desde 2006, havendo renovação apenas parcial. Posso dizer do que eu planejei e estou fazendo. Pensando nos interesses do Piauí, planejei trabalhar e atuar focando naquilo que muda a realidade do Estado: a educação. Estou na Comissão de Educação que idealizou e está implantando o O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego - Pronatec. Eu vinha conversando com o presidente Lula e agora com a presidente Dilma e o ministro Fernando Haddad. Foi lançado um programa que cria uma rede pra quem terminou o ensino médio e não fez o técnico, ou pra quem parou de estudar em algum momento e pode fazer um curso técnico ou de extensão. A ideia é que o Brasil precisa cuidar pra que se tenha uma grande base de formação de ensino profissionalizante fundamental e médio como uma estrutura de sustentação da organização do desenvolvimento. Na área da saúde, venho focando na crise em que vive a saúde há bastante tempo, pra encontrarmos uma saída. Por isso estou apresentando os recursos do pré-sal como alternativa. Assim como pra educação e outras áreas: dependência química, por exemplo.
O Estado do Piauí foi um dos que se destacaram em ritmo de crescimento na última década. Nós tínhamos um Produto Interno Bruto de 7 bilhões nominais e passamos pra 21 bilhões em 2010. Na verdade, foi o grande destaque de crescimento no Brasil e mesmo assim eu tenho defendido um plano estratégico pra que não se crie no crescimento do Nordeste, dois Nordestes. Já no final do governo Lula, levado pela lei de mercado, o conjunto de investimentos pactuados foi para os estados do Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia. E ainda naquela época como governador, apresentei um novo plano, do qual parte está em andamento: as hidrelétricas, que precisamos garantir as condições da licitação. São cinco hidrelétricas na bacia do Parnaíba; as bases eólicas no norte e no sul do Piauí, na região do litoral e na região de Paulistana; reservas minerais além da Vale do Rio Doce, que foi uma disputa com o Brasil e com o mundo. Veio para o Piauí e precisa fazer acontecer: uma reserva de galgânio, reserva fóssil na região de Caracol, Guaribas e São Raimundo Nonato.
Estou fazendo parte de nove comissões, ajudando a mediar um conjunto de projetos: Programa Nacional de Irrigação, Programa Nacional da Aviação Regional que sai agora em outubro, uma política de incentivo à aviação regional que vai dar viabilidade a aeroportos como o de São Raimundo Nonato, Floriano, Piripiri, Picos, Bom Jesus e outros que já estão com convênios pra serem lançados. Mas o pré-sal é o meu projeto que tem servido de base para as negociações para o entendimento. Enfim, mais pelo aspecto da articulação.

O Piauí irá se beneficiar de forma satisfatória da partilha dos royalties do pré-sal?
Vai sim. O nosso esforço é pra isso. Nós temos duas alternativas. Estaremos votando a regulamentação, que vem se arrastando há muito tempo e essa decisão foi adiada várias vezes, e agora eu acho que vamos tomar essa decisão. Pela minha experiência no mundo das negociações, o que eu busquei nesse período foi primeiro ouvir 14 Estados do Brasil conversando nos fóruns dos governadores, dos prefeitos, coordenações de bancada de vários estados, com lideranças e com o próprio governo. O ponto pra chegarmos ao entendimento é: o pré-sal é uma riqueza que está no mar, então pertence a todos, ao povo brasileiro. Isto é um conceito. Segundo, lá atrás foram feitas regras que colocam uma divisão de que 40% disso fica com a União e 60% com o estados e municípios. Desta parte, 80% está ficando com o Rio de Janeiro. Então essa regra é insustentável, por isso não é fácil, pois tem que ser feita uma alteração mudando a regra já existente. É uma riqueza que os brasileiros estão longe de imaginar. O Brasil já atingiu em 2010, 2 milhões de barris por dia. Vamos chegar daqui a 10 anos a 6 milhões de barris por dia e isto é apenas uma parte de 28% que já está em andamento. Tem mais 72% ainda a ser explorado. Acabaram de descobrir mais duas novas reservas, uma na Amazônia e outra no litoral. A rigor, pegando a Cordilheira dos Andes, na divisa com o Chile, você tem toda a carga de água despejando para o lado do Brasil. Então é matéria orgânica que ao longo de milhões de anos foi sendo despejada na bacia sedimentar. Por isso, acredita-se que em todo o litoral brasileiro há petróleo no mar, em maior ou menor quantidade. O que não contávamos era com esse volume tão grande do pré-sal. O projeto que eu construí leva em conta evitar o desequilíbrio do Rio e Espírito Santo, que é um dos estados que já tinham uma fatia considerável desses recursos. Eles planejaram receber 12 bilhões de reais. O mínimo que a União precisa receber é 8 bilhões pra fechar suas contas. A previsão para a receita em 2012 é de 28 bilhões. Isto porque estamos aumentando as metas de barris extraídos em 2012 e com isso sobrariam 8 bilhões para no primeiro ano partilhar com todos os estados e municípios. A proposta é que essa partilha seja proporcional à população e inversamente proporcional à renda. Então o Piauí, que tem a renda per capita como uma das baixas do país, torna-se beneficiado com um volume maior de recursos. Era uma proposta que já vinha sendo avaliada e liderada pelos deputados Marcelo Castro, Júlio César e Nazareno Fonteles. O que eu busquei foi apenas adaptá-la para que evitassem o desequilíbrio e houvesse um acordo. E acho que teremos maioria pra votar, mesmo o Rio não concordando.
Pra onde vai esse dinheiro?
Nós estamos trabalhando para que no Estado, ele possa ser direcionado para a saúde, erradicação da miséria, pesquisa, ciência e tecnologia e meio ambiente. E na parte que vai para os municípios, tem uma parte que vai para a infra-estrutura.
O senhor começou a vida política legislando. Foi governador por oito anos e agora está legislando novamente no senado. Não ter mais o “poder da caneta” atrapalha?
Depois do executivo é difícil você voltar e se acostumar a ser só legislativo. Eu tenho feito um trabalho “legislativo executivo”, onde menos dessa coisa de simplesmente apresentar projetos, eu estou mais buscando pactuar pra que o próprio executivo possa dar solução a um conjunto de ações que ele tem. Lamento não termos tido sucesso na reforma política. Acho que vamos ter agora que regulamentar o conjunto de coisas que ajudam na nova repartição das receitas centralizadas na União: fundo de participação, comércio eletrônico, a própria reforma tributária. Ver no que é possível de alguma forma avançar de muitos pontos.
Qual foi a sua principal realização durante os oito anos em que foi governador?
Às vezes eu vejo um debate no meu estado sobre onde estariam as grandes obras, que nem meu governo, nem o governo do ex-presidente Lula teriam sido feitas durante este tempo. Eu respondo com uma pergunta. O que seria uma grande obra? Se eu tiver de pensar em uma grande obra do ponto de vista do volume financeiro investido, nós temos sim, grandes obras. A maior ferrovia construída no planeta passa pelo Piauí, que é a Transnordestina. A maior quantidade de estradas asfaltadas feitas no Brasil na última década foi feita aqui. Nós estamos falando, no caso da ferrovia, de uma obra de 8 bilhões de reais, dos quais 2 bilhões estão investidos no Piauí. A hidrelétrica de Boa Esperança, que foi a maior obra com a participação pública feita no Piauí, custaria hoje 400 milhões aproximadamente. Temos a previsão com o dinheiro assegurado de cinco novas hidrelétricas na bacia do Parnaíba. Os investimentos em energia ultrapassam 2 bilhões de reais, já executados e temos aí fora as hidrelétricas e bases eólicas planejadas, cerca de 1 milhão e meio de reais investidos em andamento.
Mas pra mim, o maior investimento que foi feito no Piauí e não está pronto ainda, é na educação. O Piauí será o primeiro estado ou província do planeta a ter o ciclo completo da educação em todos os municípios. O que me dá orgulho é chegar em uma cidade como Alegrete do Piauí, que tem cerca de 5 mil habitantes, e lá o filho do prefeito ou do lavrador podem estudar fazendo o pré-escolar, ensino fundamental e médio, ensino superior e até pós-graduação. Vi há poucos dias cerca de 70 alunos recebendo o diploma da UFPI naquele município. São 120 municípios do Piauí em que isso já está completo e o governador Wilson Martins está fazendo uma expansão pra mais 80 municípios, e existe a possibilidade de que em 2012, nós completaremos os 224 municípios do Estado com essa estrutura. Porque é a educação que muda tudo. E nós vamos ter esse conhecimento descentralizado. As pessoas que estão tendo uma profissão no nível médio ou superior em cada município, ficando no seu município, fazem este município transformar o potencial que tem em riqueza e qualidade de vida.
Como é “o estilo Dilma” de governar?
É bem diferente do Lula. O projeto é o mesmo, mas o estilo é diferente. O Lula é um “animal político”. Uma pessoa que tem uma capacidade intuitiva espetacular. Alguém que conseguia, claro, tendo a sua volta pessoas escolhidas pela competência. Mas o que aconteceu na crise mundial foi que o Brasil, comandado por ele, é algo que se tornou modelo para o mundo. A presidente Dilma segue nessa direção. É uma técnica, uma pessoa que tem uma formação civil e militar por conta do combate que ela fez na época do regime da ditadura militar, mas ela conhece bem o Brasil, sabe o que o país precisa fazer, e em um estilo menos popular, consegue fazer algo que nos deixa muito orgulhosos. A mensagem que ela fez agora na Assembléia Geral da ONU foi algo que marcou profundamente todo o Brasil, sendo a primeira mulher a abrir o evento, dando muito orgulho para as mulheres e principalmente para nós, homens.
 
Entrevista ao site da Med Plan
Entrevista ao site da Med Plan
Na sua opinião, qual é o papel do Brasil após a crise econômica que ainda assola o mundo?
A crise ainda não terminou e está se agravando. Estamos saindo de um problema colocado com a Suécia e que já estava atingindo Espanha, Itália e Portugal. E me preocupa o abalo de duas grandes potências, que são os EUA e o Japão. Então acho que 2010 está sendo um ano muito difícil. O Brasil tem que cuidar para que as conseqüências dela possam afetá-lo menos. De qualquer modo, nós somos hoje um modelo dentro da América de democracia e de transparência. Creio que o país contribui pra que o mundo olhe para o hemisfério sul, América do Sul, África, o mundo árabe...o mundo estava concentrando todo no hemisfério norte. Creio que o país irá contribuir para que o mundo olhe para o hemisfério sul. Acho que o Brasil terá esse papel de integrar o planeta, fazendo-o olhar para a essência do ser humano: alimentação, saúde...e esse é um papel dos ex-presidentes Lula, Fernando Henrique e da presidente Dilma. Independente de partido, nós temos grandes lições e conhecimento para apresentar ao mundo.
Um dos grandes desafios do Piauí é a questão da saúde. E uma obra importante que vai contribuir para ajudar neste setor não está servindo ainda à população, que é o Hospital Universitário - HU. O que falta para isso acontecer?
Apenas a contratação de pessoal. Infelizmente, por uma manobra da oposição, foi derrubado um projeto que permitia a contratação de pessoal no mês de agosto deste ano. O projeto que previa esta contratação foi derrotado por decurso de prazo. Mas ele foi aprovado de novo na câmara e devemos estar votando no senado, eu espero, ainda neste mês de outubro. Então eu acredito que ainda é possível virar o ano de 2012 dando solução ao HU para colocá-lo em funcionamento. Tenho me dedicado muito na defesa de que encontremos rapidamente essa solução.
O que o senhor acredita que acontecerá com a imprensa na era das mídias sociais?
Eu acho que a imprensa, como já fez, vai se adaptar. Tínhamos antes apenas o jornal, chegou a televisão e o jornal teve que se adaptar. Hoje com a internet e o mundo integrado globalmente, eu acho que a imprensa terá que dar um salto. Aquilo que está no jornal, na televisão, no rádio vai também para o mundo virtual, sob a forma de um simples torpedo, blog, site ou rede independente. O lado positivo é que o mundo está mais livre. Eu acredito que precisa apenas a gente ter um processo de educação que possa utilizar isso para o bem. Em um primeiro momento olhamos para uma novidade vendo o que ela pode nos trazer de bom. O urânio é usado nos aparelhos de raios-x, ultrassonografia, celulares, mas lamentavelmente, houve aqueles que usaram pra bombas. Então acredito que é o grande desafio da humanidade neste século é como lidar com uma comunicação integrada mundialmente, respeitando os costumes, as tradições e as diferenças que há entre os povos e as pessoas.
O que o senhor gosta de fazer no seu tempo livre?
Primeiro ficar com a família. Sempre organizo uma agenda para os domingos e feriados. Gostamos de viajar. Gosto de música, de futebol, cinema, um papo descontraído, de ler. São as coisas que mais me trazem prazer.
Rápidas:
Hobby? Futebol. Jogo sempre que posso.
Livro: "Uma Breve História do Mundo" e "Uma Breve História do Século XX", de Geoffrey Blainey.
Música: Qualquer uma do Roberto Carlos
Frase: O futuro é a gente que faz.

Fonte: Site Sen Wellington Dias

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