| Senador Wellington Dias durante palestra sobre a Cocajupi em Fortaleza |
Baseado na experiência do Complexo COCAJUPI (Cooperativa dos
Produtores de Caju do Piauí) integrada por nove cooperativas espalhadas
por vários municípios com sede na divisa com a cidade de Campos Sales
(CE), os produtores de caju do Ceará lançaram a idéia de adotar uma
política de preço mínimo em três estados: Ceará, Piauí e Rio Grande do
Norte, com o apoio dos governos estaduais, política essa que já vem
sendo praticada no Estado do Piauí.
A proposta foi apresentada nesta terça-feira (06/03), durante a
reunião do Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto), que teve
como palestrante o senador e ex-governador do Piauí, Wellington Dias
(PT/PI), que durante sua gestão como governador incentivou o
investimento no campo através do cooperativismo e da capacitação do
produtor como mola mestre para o desenvolvimento de seu Estado.
Ele explicou que no Piauí, como resultado, a castanha chega ao valor
total de R$ 5,00 descontado todos os custos, o lucro para o produtor
fica a R$ 1,30 e o preço do pedúnculo R$ 0,30 kg médio. “Isso tem a ver
com o mundo globalizado, que preserva a produção em grande escala e o
menor custo”.
O parlamentar explicou que esse modelo de concentração atual não
agüenta e que é preciso pensar em um novo modelo. Esse modelo de
cooperativa preserva a iniciativa privada, fideliza o sócio, pois
recebendo acima do que o mercado paga, tem-se produtores motivados. E,
na outra ponta, a empresa sabe que não tem limites no seu negócio agrega
valor ao seu produto.
“Eu acredito nisso, nós acreditamos que em 2022 o Piauí alcançará um
grande desenvolvimento, com a expectativa de vida chegando aos 70 anos,
aumentando ainda mais a renda per capita, que cresceu mais de 40 % nos
últimos anos. Temos o título do Sebrae como o Estado mais empreendedor
do Brasil, onde pelo menos 30 por cento da população do Piauí é
empreendedora. Nossa avaliação é de que se tivermos a coragem de ousar
um projeto desse olhando a integração do planeta, acho que as novas
gerações terão novas chances”, disse.
Ele informou ainda que o inverno deste ano vai ser bom para o caju,
mas será ruim para outras culturas. “A previsão é de que vai chover
cerca de 800 milímetros espalhados num período de 8 meses, isso não e
bom, afirmou o senador.
No final do encontro ficou acertada a visita de um grupo de deputados
e produtores ao Estado do Piauí, para conhecer a experiência exitosa da
Cocajupi.
O deputado estadual Manoel Duca, Presidente da subcomissão do caju na
Assembléia Legislativa foi o primeiro a sugerir a coordenação do
Agopacto, que é feita pela Federação da Agricultura e Pecuária do estado
do Ceará, a trabalhar junto ao governo do Estado do Ceará, um preço
mínimo para a cultura do caju.
“Seria um passo largo, bem como instalar os postos de compra
estabelecendo intercâmbio nos estados. A aquisição de equipamentos
agrícolas sem imposto, a exemplo do que fez a presidente Dilma Rousseff
com alguns veículos populares, também foi apontada como uma boa
alternativa pelo parlamentar. Vejo a curto prazo uma solução para os
produtores de caju do Ceará que é o melhor aproveitamento do
pedúnculo, como faz o Piauí”.
O deputado informou que a Assembléia aprovou uma lei de sua autoria,
ampliando os derivados do caju na merenda escolar. Pediu ainda ao
secretário ao desenvolvimento agrário Nelson Martins maior atenção
produtores de caju, que na região do Baixo Acaraú, por exemplo,estão
arrancando cajueiro para plantar coqueiro por causa da instabilidade
no preço mínimo.
Presentes ainda ao encontro que foi coordenado pela Faec, Flávio
Viriato de Saboya Neto, os deputados estaduais Hermínio Rezende, e Dedé
Teixeira, além do superintendente do Banco do Brasil, Luis Carlos
Moscado, superintende do Mapa no Ceará,Maria Luiza Rufino, presidente da
Organização das Cooperativas do Ceará (OCB/CE),Nicédio Nogueira,
presidente da Fetraece, José Militão, Superintendente do Senar-CE,
Anízio de Castro, produtores de caju, presidentes de sindicatos
rurais.
O secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins,
disse que essa preocupação do senador Wellington Dias de unir o setor
público como privado deve ser exercitada de forma integrada, sem
esquecer a educação e a capacitação do produtor, levando em conta não
somente a produção mas também a parte de gestão. De acordo com o
secretário, o governador Cid vem tentando trabalhar os três pilares : o
crédito, a assistência técnica e que este ano será universalizado nos
184 municípios com escritórios da Emater/CE e a universalização das
compras.
Nelson Martins fez questão de destacar a importância do Agropacto ,
ao trazer temas da maior importância para o debate. Para ele, o senador
Wellington é um exemplo do movimento sindical e de como partilhar uma
experiência que nasceu de uma necessidade.
| Agropacto - Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto) em Fortaleza (CE) |
Cooperativismo e capacitação
Para o senador Wellington Dias, o cooperativismo é a saída para o
produtor enfrentar a globalização da economia com competitividade sendo
também uma segurança para a indústria, que terá o produto assegurado. O
senador defendeu também uma tarifa mais baixa de energia elétrica para o
campo, abaixo de 40% das tarifas normais, e disse que vai lutar por
isso junto a Comissão de Desenvolvimento Econômico do Senado, da qual
faz parte. “Nós vivemos num mundo globalizado no grande esforço de
integração, com mudanças tecnológicas, refletindo mudanças profundas
entre as pessoas, na área do comércio, da indústria e da produção. Daí
ser importante pactuar para que o pequeno produtor possa ter chance no
mundo globalizado”, destacou.
Em sua explanação o senador piauiense mostrou que seu Estado está
fazendo a diferença no campo, porque investiu na capacitação do homem,
fator que ele considera fundamental sendo inclusive uma das exigências
para ser cooperado do Complexo COCAJUPI, cujo modelo inclui associações
ou cooperativas e um conselho e executiva que dirigem a Central, através
de um contrato de pactuação com base industrial e comercial.
Na pactuação, define-se entre outras coisas, a participação do sócio no resultado, de no mínimo 50% do “lucro líquido”, datas do repasse, fiscalização e prestação de contas, cota mínima, etc. Já o produtor se obriga a ter um mínimo de 5 há de área, da parte da empresa o importante é garantir a participação do produtor daquilo que ele agrega valor, um outro caminho éter um contrato de gestão com a cooperativa. Algumas áreas envolvem o poder público, como a formação e qualificação do produtor, assistência técnica e pesquisa, onde a cooperativa tem que deixar um fundo para isso, mas o governo também tem que fazer a sua parte. “Não dá mais para formar o técnico agrícola generalista, ele tem que ter especialidade em cada área”, destacou.
Na pactuação, define-se entre outras coisas, a participação do sócio no resultado, de no mínimo 50% do “lucro líquido”, datas do repasse, fiscalização e prestação de contas, cota mínima, etc. Já o produtor se obriga a ter um mínimo de 5 há de área, da parte da empresa o importante é garantir a participação do produtor daquilo que ele agrega valor, um outro caminho éter um contrato de gestão com a cooperativa. Algumas áreas envolvem o poder público, como a formação e qualificação do produtor, assistência técnica e pesquisa, onde a cooperativa tem que deixar um fundo para isso, mas o governo também tem que fazer a sua parte. “Não dá mais para formar o técnico agrícola generalista, ele tem que ter especialidade em cada área”, destacou.
Para se efetivar na cooperativa o produtor tem que ter qualificação.
Ele tem que entender de caju. “O desafio é ter amplo conhecimento,
pactuação com as linhas de crédito, envolver-se na cadeia produtiva,
produzir mudas e adubos, ter equipamentos que ajudam na expressiva
redução dos custos de produção tanto na central quanto nas
fábricas,controles internos e recursos humanos qualificados.
“Antes de ser governador, por duas vezes, fui vereador e aos 25 anos
já conhecia todos os municípios do Piauí. Quando todos diziam que o
Piauí era um Estado pobre, na realidade era uma região rica,com 6.100km
de rios perenizados, nada justificava pobreza no Estado”, disse
Wellington Dias. A partir deste conceito ele percebeu um dado
importante,o Piauí tem 60 por cento da população vivendo no campo,a
cidade maior é Parnaíba, com 150 mil habitantes, e mais ou menos 150
municípios com população abaixo de 8 mil habitantes,enxerguei a partir
daí o desafio estudar e investir no campo.Com planejamento e
capacitação o campo é algo viável, repetiu o senador.
O Piauí tem 18% de sua área cristalina, com tradição em plantação de
caju. Foi a partir da Embrapa do Ceará que passamos a trabalhar com o
cajueiro anão precoce. A partir dessa experiência montamos o complexo
Cocajupi ,colocando uma relação direta com o produtor e a
fabrica,cortando o intermediário, um ganho considerável. No entanto, o
senador reconhece que a experiência com o mel dentro do Complexo do
Cocajupi, tem trazido melhores resultados, do que propriamente com o
caju. “A experiência do Mel através da casa Apis, foi a que obteve maior
resultado com 28 entidades filiadas inclusive de outros estados,hoje
somos a maior industria do mel na América Latina. Estamos trabalhando
agora a cultura do cajá.
Subprodutos são aproveitados
Os subprodutos da castanha podem ser usadas em várias finalidades,
inclusive, na alimentação. Hoje, a Cocajupi tem uma boa infra-estrutura,
com o aproveitamento integral do caju, da casca, o óleo, a produção de
derivados da fruta.
Em quatro anos, foram distribuídas 298 mil mudas desde a criação da
Cooperativa do Piauí em 2006, com o apoio do governo estadual e até de e
emendas parlamentares. Agora a Cooperativa está trabalhando a
implementação de novas técnicas de produção, como a polpa congelada,
cajuína, doce, ração, vista como um produto natural.
Fonte: Site Sen Wellington Dias
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