sexta-feira, 13 de julho de 2012

Senador profere palestra sobre o modelo de cooperativismo do Piauí

Senador Wellington Dias durante palestra sobre a Cocajupi em Fortaleza
Senador Wellington Dias durante palestra sobre a Cocajupi em Fortaleza
Baseado na experiência do Complexo COCAJUPI (Cooperativa dos Produtores de Caju do Piauí) integrada por nove cooperativas espalhadas por vários municípios com sede na divisa com a cidade de Campos Sales (CE), os produtores de caju do Ceará lançaram a idéia de adotar uma política de preço mínimo em três estados: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, com o apoio dos governos estaduais, política essa que já vem sendo praticada no Estado do Piauí.
A proposta foi apresentada nesta terça-feira (06/03), durante a reunião do Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto), que teve como palestrante o senador e ex-governador do Piauí, Wellington Dias (PT/PI), que durante sua gestão como governador incentivou o investimento no campo através do cooperativismo e da capacitação do produtor como mola mestre para o desenvolvimento de seu Estado.
Ele explicou que no Piauí, como resultado, a castanha chega ao valor total de R$ 5,00 descontado todos os custos, o lucro para o produtor fica a R$ 1,30 e o preço do pedúnculo R$ 0,30 kg médio. “Isso tem a ver com o mundo globalizado, que preserva a produção em grande escala e o menor custo”.
O parlamentar explicou que esse modelo de concentração atual não agüenta e que é preciso pensar em um novo modelo. Esse modelo de cooperativa preserva a iniciativa privada, fideliza o sócio, pois recebendo acima do que o mercado paga, tem-se produtores motivados. E, na outra ponta, a empresa sabe que não tem limites no seu negócio agrega valor ao seu produto.
“Eu acredito nisso, nós acreditamos que em 2022 o Piauí alcançará um grande desenvolvimento, com a expectativa de vida chegando aos 70 anos, aumentando ainda mais a renda per capita, que cresceu mais de 40 % nos últimos anos. Temos o título do Sebrae como o Estado mais empreendedor do Brasil, onde pelo  menos 30 por cento da população  do Piauí é empreendedora. Nossa avaliação é de que se tivermos a coragem de ousar um projeto desse olhando a integração do planeta, acho que as novas gerações terão novas chances”, disse.
Ele informou ainda que o inverno deste ano vai ser bom para o caju, mas será ruim para outras culturas. “A previsão é de que vai chover cerca de 800 milímetros espalhados num período de 8 meses, isso não e bom, afirmou o senador.
No final do encontro ficou acertada a visita de um grupo de deputados e produtores ao Estado do Piauí, para conhecer a experiência exitosa da Cocajupi.  
O deputado estadual Manoel Duca, Presidente da subcomissão do caju na Assembléia Legislativa foi o primeiro a sugerir a coordenação do Agopacto, que é feita pela Federação da Agricultura e Pecuária do estado do Ceará, a trabalhar junto ao governo do Estado do Ceará, um preço mínimo para a cultura do caju.
“Seria um passo largo, bem como instalar os postos de compra estabelecendo intercâmbio nos estados. A aquisição de equipamentos agrícolas sem imposto, a exemplo do que fez a presidente Dilma Rousseff com alguns veículos populares, também foi apontada como uma boa alternativa pelo parlamentar. Vejo a curto prazo  uma solução para os produtores de caju do Ceará que é o melhor  aproveitamento do  pedúnculo, como faz o Piauí”.
O deputado informou que a Assembléia aprovou uma lei de sua autoria, ampliando os derivados do caju  na merenda escolar. Pediu ainda ao secretário ao desenvolvimento agrário Nelson Martins maior atenção  produtores de caju, que na região do Baixo Acaraú, por exemplo,estão  arrancando cajueiro para plantar  coqueiro por  causa da instabilidade no preço mínimo.
Presentes ainda ao encontro que foi coordenado pela Faec, Flávio Viriato de Saboya Neto, os deputados estaduais Hermínio Rezende, e Dedé Teixeira, além do superintendente do Banco do Brasil, Luis Carlos Moscado, superintende do Mapa no Ceará,Maria Luiza Rufino, presidente da Organização das Cooperativas do Ceará (OCB/CE),Nicédio Nogueira, presidente da Fetraece, José Militão,  Superintendente do Senar-CE, Anízio de Castro, produtores de caju, presidentes de sindicatos rurais.  
O secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, disse que essa preocupação do senador Wellington Dias de unir o setor público como privado deve ser exercitada de forma integrada, sem esquecer a educação e a capacitação do produtor, levando em conta não somente a produção mas também a parte de gestão. De acordo com o secretário, o governador Cid vem tentando trabalhar os três pilares : o crédito, a assistência  técnica e que este ano será universalizado nos 184 municípios  com escritórios da Emater/CE e a universalização das compras.
Nelson Martins fez questão de destacar a importância do Agropacto , ao trazer temas  da maior importância para o debate. Para ele, o senador Wellington é um exemplo do movimento sindical e de como partilhar  uma experiência que nasceu de uma necessidade.
  
Agropacto - Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto) em Fortaleza (CE)
Agropacto - Pacto de Cooperação da Agropecuária (Agropacto) em Fortaleza (CE)
Cooperativismo e capacitação
Para o senador Wellington Dias, o cooperativismo é a saída para o produtor enfrentar a globalização da economia com competitividade sendo também uma segurança para a indústria, que terá o produto assegurado. O senador defendeu também uma tarifa mais baixa de energia elétrica para o campo, abaixo de 40% das tarifas normais, e disse que vai lutar por isso junto a Comissão de Desenvolvimento Econômico do Senado, da qual faz parte. “Nós vivemos num mundo globalizado no grande esforço de integração, com mudanças tecnológicas, refletindo mudanças profundas entre as pessoas, na área do comércio, da indústria e da produção. Daí ser importante pactuar para que o pequeno produtor  possa ter chance no mundo globalizado”, destacou.
Em sua explanação o senador piauiense mostrou que seu Estado está fazendo a diferença no campo, porque investiu na capacitação do homem, fator que ele considera fundamental sendo inclusive uma das exigências para ser cooperado do Complexo COCAJUPI, cujo modelo inclui associações ou cooperativas e um conselho e executiva que dirigem a Central, através de um contrato de pactuação com base industrial e comercial.
Na pactuação, define-se entre outras coisas, a participação do sócio no resultado, de no mínimo 50% do “lucro líquido”, datas do repasse, fiscalização e prestação de contas, cota mínima, etc. Já o produtor se obriga a ter um mínimo de 5 há de área, da parte da empresa o importante é garantir a participação do produtor daquilo que ele agrega  valor, um outro caminho éter um contrato de gestão  com a cooperativa. Algumas áreas envolvem o poder público, como a formação e qualificação do produtor, assistência técnica e pesquisa, onde a cooperativa tem que deixar um fundo para isso, mas o governo também tem que fazer a sua parte. “Não dá mais para formar o técnico agrícola generalista, ele tem que ter especialidade em cada área”, destacou.
Para se efetivar na cooperativa o produtor tem que ter qualificação. Ele tem que entender de caju. “O desafio é ter amplo conhecimento, pactuação com as linhas de crédito, envolver-se na cadeia produtiva, produzir mudas e adubos, ter equipamentos  que ajudam na expressiva redução dos custos de produção  tanto na central quanto nas fábricas,controles internos e recursos humanos qualificados.
“Antes de ser governador, por duas vezes, fui vereador e aos 25 anos já conhecia todos os municípios do Piauí. Quando todos diziam que o Piauí era um Estado pobre, na realidade era  uma região rica,com 6.100km de rios perenizados, nada justificava pobreza no Estado”, disse Wellington Dias.  A partir deste conceito ele percebeu um dado importante,o Piauí tem 60 por cento da população vivendo no campo,a cidade maior é  Parnaíba, com 150 mil habitantes,  e mais ou menos  150 municípios com população abaixo de 8 mil habitantes,enxerguei  a partir  daí o desafio estudar e investir no campo.Com planejamento e capacitação o campo  é algo viável, repetiu o senador.
O Piauí tem 18% de sua área cristalina, com tradição em plantação de caju. Foi a partir da Embrapa do Ceará que passamos a trabalhar com o cajueiro anão precoce. A partir dessa experiência montamos o complexo Cocajupi ,colocando uma relação direta com o produtor  e a fabrica,cortando o intermediário, um ganho considerável. No entanto, o senador reconhece que a experiência com o mel dentro do Complexo do Cocajupi, tem trazido melhores resultados, do que propriamente com o caju. “A experiência do Mel através da casa Apis, foi a que obteve maior resultado com 28 entidades filiadas inclusive de outros estados,hoje somos  a maior industria do mel na América Latina. Estamos trabalhando agora a cultura do cajá.
Subprodutos são aproveitados
Os subprodutos da castanha podem ser usadas em várias finalidades, inclusive, na alimentação. Hoje, a Cocajupi tem uma boa infra-estrutura, com o aproveitamento integral do caju, da casca, o óleo, a produção de derivados da fruta.
Em quatro anos, foram distribuídas 298 mil mudas desde a criação da Cooperativa do Piauí em 2006, com o apoio do governo estadual e até de e emendas parlamentares. Agora a Cooperativa está trabalhando a implementação de novas técnicas de produção, como a polpa congelada, cajuína, doce, ração, vista como um produto natural.

Fonte: Site Sen Wellington Dias

Nenhum comentário:

Postar um comentário