O crédito para famílias agricultoras quintuplicou nas oito últimas
safras, passando de R$ 2,3 bilhões em 2002/03 para R$ 11,9 bilhões em
2009/10, no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf) – . A evolução dos valores foi maior do que o número
de contratos, que passou de 904 mil para 1,6 milhão no período (78%
mais). Esses dados fazem parte do relatório Estatísticas do Meio Rural
2011 , publicado nesta terça-feira (25), pelo Núcleo de Estudos Agrários
e Desenvolvimento Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário
(Nead/MDA) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese).
O maior financiamento do agricultor familiar se deu num contexto de
aumento do consumo nacional e de uma ampliação dos preços
internacionais, que levaram a programas como o Mais Alimentos - que
permitiu uma ampliação da capacidade produtiva devido à compra de
equipamentos e infraestrutura para a propriedade rural familiar,
financiadas em até dez anos, com até três anos de carência e juro de 2%
ao ano. O relatório registra essa evolução da demanda no mercado e da
produção: a de arroz, por exemplo, aumentou 24,2%, passando de 10,1
milhões de toneladas em 2001 para 12,6 milhões em 2009; e a do feijão
cresceu 42,1% no período, passando de 2,4 milhões de toneladas para 3,4
milhões.
Renda - O aumento da renda familiar no campo, entre
2003 e 2009, foi maior para as famílias agricultoras (31,7%, de R$ 1.138
para R$ 1.499) e para os assalariados rurais (38%, de R$ 793 para R$
1.094) do que para as famílias proprietárias na agricultura patronal
(7,6%, de R$ 9.737 para R$ 10.477). A renda das famílias de empregadores
e trabalhadores por conta-própria não agrícolas, mas com residência
rural, também cresceu: 24,1%, de R$ 1.230 para R$ 1.526.
Esse aumento explica a razão da taxa de pobreza do campo ter reduzido
14,4%, no período - acima da média brasileira (12,4%), de acordo com o
estudo.
Jovens - A quarta edição de Estatísticas do Meio
Rural traz uma novidade em relação às anteriores, ao buscar dados para a
análise das políticas públicas para a juventude no campo -
especialmente com relação à educação e saúde. O estudo demonstra a
concentração da população acima de dez anos de idade sem instrução (20%
do total) no campo e, na outra ponta, a baixa concentração das pessoas
com mais de 15 anos de estudo (1,4%). A maior parte dos moradores do
meio rural tem de 3 a 4 anos de escolaridade (25,4%) e de 11 a 12 anos
(25,1%). O que significa que há três grandes grupos: os que não
estudaram, os que fizeram o primeiro ciclo do ensino fundamental e os
que fizeram o ensino médio. Com relação à saúde, os números mostram que o
morador rural tem pouca cobertura de planos de saúde complementar
(6,4%).
Dados - A fonte primária da maior parte dos dados do
estudo é o Censo Agropecuário 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), que foi cruzado com outras fontes, como o
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) ou as compras da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre outros.
Fonte: Site Sen Wellington Dias
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